sexta-feira, 20 de junho de 2014

Trintando em 3, 2, 1


Clichê ou não fazer 30 anos parece ser meio divisor de águas. Quando criança não imaginava chegar aos 30. Imaginava com 20, 25, morando sozinha, sendo uma jornalista reconhecida e feliz com meus amigos e um namorado. Mas 30 era muito. 30 era quase “como serei velha”. Pois é, eis que chego aos 30. Metade das coisas que eu imaginava estão acontecendo. Sou  feliz com meus amigos e moro com eles. Ainda não sou uma jornalista reconhecida (e também não sei se quero ser) e não tenho um namorado.

Mas a real  é que eu sou muito mais feliz completando 30 do que quando completei 20. Lógico, eram épocas, objetivos e países diferentes. Aos 20 eu me cobrava responsabilidade demais, maturidade demais, resultados demais. Foi bom para época. Estava na faculdade e era muito nerd. Levava meu relacionamento muito a sério. Não pensava jamais em morar sozinha, muito pelo contrário, queria comprar uma casa pra minha mãe. E tinha bons amigos, alguns que ainda permanecem, outros que foram demitidos ou me demitiram.

Hoje, consigo ver que a maturidade me trouxe para onde estou. Talvez eu tenha queimado algumas etapas. Não fiz uma tatuagem naquela época, não deixava minha mãe com os cabelos em pé por não saber do meu paradeiro, e nem ficava na dúvida do que ser quando crescer. Mas posso fazer muitas outras coisas hoje com lucidez. Mais do que naquele tempo.

Sofri algumas decepcões, tenho alguns (muitos) kilos a mais e cabelos de menos. Aprendi com os erros e nunca vou poder garantir os acertos. Mergulhei em uma nova língua que me causava pavor. Perdi a vergonha e o medo de falar o que eu pensava. Se penso em agradar alguém, que eu seja a primeira. Ganhei novas pessoas na vida que possívelmente me acompanharão até os 80. Conheci Paris. Descobri que não preciso de bens materiais nenhum pra ser feliz e que a minha alma é viajante.


O que eu tiro de tudo isso? Aprendi não fazer milhões de planos, deixar que cada dia seja um dia. Viver o hoje e olhar o futuro não como uma coisa concluída. Que a vida segue e não adianta tentar prever o que vai nos acontecer. Ter 30 e ser independente, autêntica e autônoma dos meus atos e consequências. 30 é um descoberta de um ser seguro e inseguro. É meter as caras com um pouco de receio, mas vencer o medo. Me prefiro hoje e se fosse uma criança nunca ia querer ter 18, ia querer ter 30. 

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